Pular para o conteúdo

BlogComo comprar na Colina

Loteamento pronto ou em obras: o que muda para quem compra

Por Colina Empreendimentos

Num loteamento com obras concluídas você verifica a infraestrutura com os próprios olhos; num loteamento em execução, o que existe é um cronograma de até quatro anos, prorrogáveis por mais quatro, e uma garantia dada ao município (art. 18, V). Muda o que se confere, não a legalidade da compra.

Quem visita dois loteamentos no mesmo fim de semana costuma sair com a mesma dúvida: um tem rua asfaltada, poste aceso e casas construídas; o outro tem estacas, terraplenagem e um projeto na parede do stand. São dois estágios do mesmo tipo de empreendimento, e a lei trata os dois como legítimos.

O que muda é o que você consegue verificar hoje e o que fica dependendo de documento. Este artigo compara os dois lado a lado, sem eleger vencedor: a escolha depende do seu prazo, da sua tolerância a conviver com obra e da sua disposição de conferir papel. Condições comerciais não entram aqui: isso é conversa de visita, com o empreendimento concreto na frente.

O que a lei permite em cada caso?

A Lei 6.766/79 exige que todo loteamento seja aprovado pela prefeitura e registrado no cartório de registro de imóveis antes de qualquer venda. No momento do registro, o loteador tem dois caminhos:

  • Obras já executadas. Ele apresenta o termo de verificação da execução das obras emitido pela prefeitura, que atesta o que foi feito.
  • Obras por concluir. Ele apresenta um cronograma de execução com duração máxima de quatro anos, prorrogáveis por mais quatro, acompanhado de garantia para a execução das obras. É o que diz o art. 18, V, na redação que a Lei 14.118/2021 lhe deu: o teto legal, somando a prorrogação, é de oito anos.

Dois números, portanto, e eles não se confundem. Oito anos é o máximo que a lei tolera; o que obriga o loteador é a data escrita no cronograma daquele loteamento, em geral bem antes disso. Quem confunde os dois acha que há descumprimento onde só há prazo em curso, ou o contrário.

A garantia costuma ser a caução de parte dos próprios lotes, hipoteca ou fiança, e é dada ao município, não ao comprador. Se o loteador não cumprir, o poder público pode executá-la para terminar o serviço. Entender isso evita dois erros opostos: achar que loteamento em obras é irregular, e achar que a garantia é um seguro pessoal do comprador.

Comparativo: o que muda de um para o outro

Dimensão Loteamento com obras concluídas Loteamento em execução
O que se vê na visita A infraestrutura pronta: rua, meio-fio, bocas de lobo, postes, poços de visita Parte executada e parte no papel; o estágio muda a cada mês
O que sustenta o resto O termo de verificação das obras, emitido pela prefeitura O cronograma aprovado e a garantia registrada, dentro do teto de quatro anos prorrogáveis por mais quatro
Conferência documental Registro do loteamento, matrícula do lote e termo de verificação O mesmo, mais cronograma por item, garantia e eventual caução sobre o lote
Quando começar a construir Em geral assim que a documentação da compra e o alvará permitirem Depende do estágio das obras e da liberação das redes e do acesso
Convivência Bairro em uso, com vizinhança e rotina formadas Canteiro ativo: máquina, poeira, ruído e ruas em serviço
Como se avalia um lote específico Com a rua pronta: dá para ver o nível final, o meio-fio e o acabamento da via na frente do lote Pela planta aprovada e pelo projeto, porque o nível final e o acabamento da via ainda estão em execução
Onde mora o risco Na conferência do que existe: se está pronto, está pronto No cumprimento do prazo: o que protege é o cronograma e a garantia

Nenhuma coluna é a resposta certa. A da esquerda troca opções por certeza; a da direita troca certeza por escolha e por tempo, e exige mais leitura de documento.

O que dá para verificar com os próprios olhos

Num loteamento pronto, a visita responde quase tudo. Vale percorrer todas as ruas, e não só a principal: acabamento até o meio-fio, bocas de lobo nos pontos baixos, poços de visita no leito da via, postes com luminária em toda a extensão. O artigo sobre infraestrutura de loteamento traz o roteiro item por item, e visitar na época de chuva mostra o que a água revela sobre a drenagem.

Num loteamento em execução, o olho serve para outra coisa: comparar o cronograma com o canteiro. Há frente de serviço trabalhando? A etapa que o cronograma diz estar em andamento é a que você viu acontecendo? Quantas quadras já receberam pavimentação? Obra parada em dia útil, sem explicação, é o dado mais importante da visita.

O que pedir para conferir num loteamento em obras

Cinco documentos resolvem a maior parte das dúvidas:

  1. O número do registro do loteamento e o cartório em que foi feito, o ponto de partida de qualquer conversa.
  2. O cronograma aprovado, com os prazos por item, e não apenas a data final.
  3. A garantia: qual modalidade foi dada ao município e o que ela cobre.
  4. A matrícula atualizada do lote (como ler), para verificar se aquele lote específico está entre os caucionados e em que condições a caução é liberada.
  5. O que já foi verificado pela prefeitura até aqui, por escrito.

Some a isso o restante do roteiro de documentos, que vale para qualquer compra de lote. E guarde o cronograma junto do contrato: é ele que transforma "vai ter" em obrigação com data.

E se as obras atrasarem?

A lei previu esse cenário. O art. 38 da Lei 6.766/79 permite ao comprador notificar o loteador, suspender o pagamento e depositar as parcelas no cartório de registro de imóveis enquanto a irregularidade não é sanada, assim ele não vira inadimplente por cobrar o que foi prometido. O art. 40 autoriza a prefeitura a assumir a regularização e cobrar os custos de quem loteou.

São instrumentos reais, e é bom saber que existem. Mas usar qualquer um deles custa tempo e desgaste. Por isso a conferência antes da assinatura vale mais do que o remédio depois.

Como decidir entre os dois

Quatro perguntas costumam bastar:

  • Qual é o seu prazo? Se a mudança tem data, o estágio das obras deixa de ser detalhe e vira o centro da decisão.
  • Você vai construir logo ou depois? Obra em loteamento ainda em execução convive com o canteiro do empreendimento.
  • Você tem disposição para conferir cronograma e garantia? Num loteamento em obras, essa leitura é parte da compra.
  • Que posição de lote você quer? Frente, esquina, topografia e orientação solar mudam o projeto da casa. Num loteamento em execução, parte dessas medidas ainda depende do nível final da via, então confira na planta aprovada, e não no olho.

Leve essas quatro perguntas para a visita, e mais uma, que vale para qualquer empresa: quem está me atendendo tem autonomia para decidir, ou a resposta depende de outra instância? Agende uma visita e conheça os loteamentos em Congonhas e Brumadinho, no estágio em que cada um está. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional sobre o seu caso.

Perguntas frequentes

É permitido vender lote de loteamento com obras em andamento?

Sim, desde que o loteamento esteja registrado no cartório de registro de imóveis. A Lei 6.766/79 admite o registro com obras por concluir mediante cronograma de até quatro anos, prorrogáveis por mais quatro, e garantia de execução (art. 18, V, na redação da Lei 14.118/2021). O que a lei proíbe é vender lote de loteamento não registrado (art. 37).

O que é a garantia das obras de um loteamento?

É o instrumento que o loteador dá ao município para assegurar a execução do cronograma: em geral a caução de parte dos próprios lotes, hipoteca ou fiança. Se as obras não saírem, o poder público pode acionar essa garantia. Ela protege primeiro o município, e por reflexo quem comprou ali.

Como sei se o lote que estou comprando está caucionado?

A informação aparece na matrícula do lote, entre os registros e averbações. Peça a certidão atualizada e pergunte ao loteador em que condições a caução é liberada. Lote caucionado não impede a negociação, mas você precisa saber disso antes de assinar, e não depois.

Dá para começar a construir enquanto o loteamento está em obras?

Depende do estágio das obras e das regras do município, que emite o alvará de construção. Água, energia e acesso precisam existir para a obra andar. Confirme na prefeitura da cidade e peça ao loteador, por escrito, o que já está executado e liberado.

O que fazer se as obras do loteamento pararem?

A Lei 6.766/79 permite ao comprador notificar o loteador, suspender o pagamento e depositar as parcelas no cartório de registro de imóveis até a regularização (art. 38). A prefeitura também pode assumir a regularização e cobrar os custos do loteador (art. 40).

Leia também

Falar com a Colina

Quem atende conhece o seu contrato.

Segunda via de boleto, extrato das parcelas, documento do lote: é uma ligação, no mesmo número de sempre. Se você ainda não é cliente e quer ser avisado do próximo lançamento, é por aqui também.

Segunda a quinta, das 8h às 18h. Sexta, das 8h às 16h

Ver todas as formas de falar com a Colina

WhatsApp